A alfabetização construtivista: onde a criança constrói o próprio conhecimento

 

Como propor a alfabetização construtivista?  No post de hoje falaremos tudo o que você precisa saber sobre a alfabetização construtivista, quais seus principais teóricos e como esta abordagem é entendida. Confira!

 

Proposta construtivista e suas principais características

 

O que é a proposta construtivista e suas principais características

 

Com a busca por uma educação de qualidade e para todos, ao longo da nossa história, surgiram processos de aprendizagem contrários ao ensino tradicional.

A abordagem construtivista é um desses processos de aprendizagem que colaboram para uma nova forma de ensinar, mas que também geram muitas controvérsias entre os profissionais da educação.

No construtivismo nada está pronto, nada está acabado, o conhecimento não é algo terminado, ou seja, o conhecimento constitui-se pela ação e interação com o meio.

Embora, o pensamento educacional atual gire em torno de uma educação mais construtivista, nos deparamos com certa intolerância por parte de muitos educadores que acreditam meramente que nesta proposta o aluno aprende sozinho, o silabário é estritamente proibido e todas as atividades devem estar somente de acordo com os interesses da turma.

 

Por isso é preciso entender que:

  • No construtivismo o aluno é o protagonista do processo de aprendizagem, mas o professor é o mediador e facilitador, por tanto o aluno não aprende sozinho.
  • O silabário é bastante utilizado na alfabetização tradicional, se o propósito do seu uso não for simplesmente para fins de memorização, é um recurso que pode ser adaptado dentro da sua metodologia.
  • As atividades propostas pelo educador estão de acordo com as especificidades e não “interesses” da turma. Na visão construtivista, o educador é quem contextualiza diferentes situações onde o aluno encontra suas próprias soluções, construindo assim um novo conhecimento.

 

Quem fala de construtivismo?

 

Piaget e Emília Ferreiro são os principais teóricos no construtivismo

 

Piaget e Emília Ferreiro são os principais teóricos que defenderam a educação construtivista em suas obras.

Jean Piaget (psicólogo e biólogo suíço) foi um grande pesquisador do desenvolvimento cognitivo, onde desenvolveu vários experimentos em crianças de idades distintas. Suas pesquisas apresentaram hipóteses associadas às fases do desenvolvimento infantil:

  • Período Sensório-motor (0 a 2 anos);
  • Período Pré-operatório (2 a 7 anos);
  • Período das Operações concretas (7 a 11 ou 12 anos);
  • Período das Operações formais (11 ou 12 anos em diante).

Piaget também apresentou os conceitos de acomodação e assimilação. A criança assimila um novo conhecimento alterando sua estrutura cognitiva para acomodá-lo, ou seja, todos os conhecimentos são construídos partindo de conhecimentos anteriores, adaptando-os para novos conhecimentos.

Emília Ferreiro (Psicolinguista argentina) estudou e trabalhou com Piaget e se tornou uma referência para o ensino brasileiro nos últimos anos. Autora da obra Psicogênese da Língua Escrita mostrou o processo de aprendizagem das crianças questionando os métodos tradicionais do ensino da leitura e escrita.

Defende o papel ativo das crianças onde elas constroem o próprio conhecimento. Em relação à leitura e escrita, a compreensão da sua função social deve ser estimulada através de diferentes textos, livros etc. Sua proposta construtivista reconfigura a sala de aula tornando-a um ambiente alfabetizador.

 

A alfabetização construtivista

 

Como a criança aprende por meio do construtivismo

 

Como a criança aprende por meio do construtivismo? Veja como acontece a alfabetização construtivista e os principais pontos que você deve considerar na sua prática.

 

Considere o que a criança sabe

 

A escola não é o único lugar em que a criança aprende, por isso é importante considerar os outros espaços de aprendizagem como sua casa e as experiências que essa criança já detém.

A criança que está em constante contato com materiais escritos no ambiente familiar, desenvolve uma relação importante e mais próxima com diferentes textos, enriquecendo sua experiência com a escrita e leitura. Por isso, é essencial o estímulo da família no processo de aprendizagem.

Dado que cada criança traz de casa uma bagagem diferente, neste contexto alguns terão mais facilidade na aquisição da leitura e escrita do que outros. Por isso, é essencial um olhar individualizado por parte do professor.

O professor deve estar sempre atento às habilidades e dificuldades dos seus alunos e proporcionar atividades que estejam de acordo com os níveis de aprendizagem.

 

Identifique a etapa em que a criança se encontra

 

O professor que proponha uma alfabetização construtivista deve ter conhecimento sobre as diferentes etapas das hipóteses de aquisição da escrita, sendo os níveis:

Leia também: Quais são as hipóteses de escrita?

No construtivismo, quando uma criança escreve sem adequação dos padrões formais, esse tipo de erro aponta para uma etapa da alfabetização em que a criança se encontra, servindo como orientação para quais conteúdos devem ser trabalhados.

Considerando concepção Piagetiana em que um novo conhecimento se desenvolve diante de um conhecimento já existente, essas hipóteses auxiliam no acompanhamento do ritmo da aprendizagem. O professor que reconhece a etapa em que a criança se encontra sabe identificar quais os próximos estímulos necessários para alcançar novos aprendizados.

 

Incentive a criança a praticar

 

Experimentar é uma característica do construtivismo, neste sentido, a criança deve ser sempre incentivada a ler e escrever, mesmo que ainda não domine o seu uso.

Diferente do método de alfabetização tradicional, que ensina com textos muito simples e repetitivos, a alfabetização construtivista visa desafiar e garantir que o aluno esteja sempre em contato com textos ricos. Embora possa haver dificuldades no percurso, essas dificuldades apresentam novas oportunidades de aprendizados.

A experiência com a leitura e escrita deve ser estimulada com naturalidade, ressignificando, criando e desenvolvendo uma relação com o uso da língua.

Gostou da leitura? Então saiba mais lendo também os artigos: Quando começar a alfabetizar uma criançaQual é a diferença entre alfabetização e letramento.

 

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